domingo, outubro 31, 2004

Os Estados dentro do Estado


Portugal 2004.
Uma empresa de média dimensão e com mais de 20 anos de existência desenvolve a sua actividade com relativo sucesso. Por questões de contingência empresarial os seus principais clientes vão-se tornando, com o passar do tempo, essencialmente, empresas estatais nas suas mais variadas vertentes.

A principio estas empresas pagam as facturas que lhes são remetidas a 60 dias, mas de repente, passam a pagar a 90, depois 120, 180 e já são inúmeros os casos em que as facturas demoram mais de 1 ano a serem liquidadas. Perante esta situação, a referida empresa começa a ter problemas de tesouraria e, a fim de preservar os postos de trabalho existentes, deixa de pagar o IVA correspondente, afinal de contas este resulta de um conjunto de facturas que não foram pagas por entidades que são o próprio Estado.

Resultado? A empresa é inspeccionada e intimada a pagar umas centenas de milhares de euros de IVA que nunca devolveu ao Estado mas, diga-se em abono da verdade, o Estado também nunca lhe pagou. Confrontada com esta situação, a administração tributária afirmou nada ter a ver com esse facto, e apesar das facturas não pagas serem referentes a serviços prestados a entidades estatais, para eles (administração tributária) isso é totalmente irrelevante. Mais, acrescentaram que esta situação é susceptível de fazer incorrer os administradores da sociedade em responsabilidades criminais cuja sanção pode ser, até, pena de prisão. A empresa já afirmou que se as facturas não forem pagas a tempo de liquidar o IVA, terá de despedir trabalhadores e ponderar o seu próprio futuro porque não pode continuar a laborar para entidades que nunca pagam atempadamente.

Que o investimento publico seja "0" (zero) nós já sabemos, mas que agora se dediquem a tramar aqueles que investem e querem produzir, isso já é uma novidade. Desde à muito que o Estado é mau pagador, mas a irresponsabilidade e até a imoralidade começam a ser demasiado descaradas nas suas atitudes.

sexta-feira, outubro 29, 2004

Os bastidores agitam-se


Quando parece que o Bush começa a perder algum peso nas sondagens para J. Kerry, eis que surgem noticias que demonstram uma certas agitação nos bastidores das eleições.

Na Alemanha, numa base americana, é feita campanha eleitoral pró-Bush num terreno no qual ele possui muito eleitorado e, apesar disso ser contra a lei, ninguém diz nada. Esses soldados já começaram a votar por voto electrónico sem qualquer problema. Mas, também na Alemanha, os cidadãos americanos que trabalham na multinacional Siemens (e crê-se que maioritáriamente democratas) não conseguem exercer o seu direito de voto porque o sistema electrónico não funciona.

Na Flórida (outra vez) desapareceram mais de 60.000 boletins de voto que são imprescidiveis para que outros tantos eleitores possam exercer o seu direito. Por "coincidência" estas coisas tendem a acontecer no Estado onde o mano Jared é Governador.

Por fim, especialistas em informatica têm criticado imenso o sistema de voto electrónico implantado porque, dizem eles, é extremamente vulnerável e permite que uma acção criminosa possa distorcer os resultados finais. Isto num pais que é lider nestas tecnologias.

A democracia americana continua a revelar-se um flop comercial no qual só acreditam os pobres de espirito.

quinta-feira, outubro 28, 2004

Este Governo é burro


Finalmente o Prof. Marcelo pronunciou-se sobre a sua saida da TVI. Perante a AACS, e o país, o professor disse das suas razões e agora importa saber se dai advém alguma consequência para alguém.

Não nos deixemos enganar. Em Portugal, e desde sempre, os Governos sejam de que côr for, sempre tentaram instrumentalizar a seu gosto os órgãos de comunicação social e em especial a TV. Seja para fazer campanha a seu favor ou para calar as vozes discordantes. Em finais dos anos 70, já o Manuel Alegre, enquanto Secretário de Estado para a Comunicação Social, se mexia nos bastidores para calar as vozes discordantes do seu Governo. E isso parece ser exactamente o que este Governo faz, mas com uma diferença. Seja por impetuosidade ou por necessidade de mediativismo, este Governo faz questão de tornar públicas todas as suas asneiras. Se têm agido do mesmo modo mas o Rui Gomes da Silva não tem dito nada, isto nunca tomava estas dimensões. Mas não. Tinham de falar porque aquelas bocas não conseguem estar fechadas. Agora assumam as consequências.

Uma palavra final para aqueles jornalistas que, quais paladinos da classe, agora assumem que já sofreram muitas pressões mas que nunca cederam. Será que nunca cederam? Porque nunca referiram esse assunto, e agora, atendendo ao caso Marcelo, trazem essas questões para cima da mesa? Com que fim? Quando é que eles foram sinceros? Na altura ou agora? De pessoas destas eu tendo sempre a desconfiar.

terça-feira, outubro 26, 2004

Publicidade à portuguesa

É conhecida a apetência nacional para a brejeirice. Uma piada para fazer rir basta ter uma caralhadas pelo meio e toda a gente ri desalmadamente (hás vezes a anedota não tem que acabar, basta dizer uma asneira e o efeito é o mesmo). Por outro lado, quando as ideias escasseiam e os resultados obtidos não são os desejados, mostram-se uns cús e umas mamas e recupera-se imediatamente (p.e. "Herman SIC").

Esta conversa vem a propósito desta publicidade que, à falta de melhor, uma empresa de ar condicionado nos diz que dá "a temperatura ideal no local certo" e remete-nos para as partes fodengas de uma mulher. Perante isto só posso concluir uma de duas coisas: ou aquilo está tão quente, suado e mal cheiroso que nenhum gajo no seu juizo perfeito lhe toca; ou por outro lado, está muito frio porque não houve competência para prepará-la para o fim desejado.

Em qualquer um dos casos o gajo que idealizou este outdoor revela conhecer experiências sexuais infelizes, e a empresa que o autorizou deve ser mais uma que estava numa situação económica tão precária que já recorria a todos os meios para chamar a atenção para os seus serviços. Com um bocado de sorte tinha funcionárias a fazer testes ao vivo para que os clientes comprovassem os resultados.

sexta-feira, outubro 22, 2004

O ditado está errado


Fidel Castro é uma figura incontornável da história mundial. Nunca partilhei os seus ideais, discordo da maioria das suas atitudes mas ao mesmo tempo sou obrigado a admirar um homem que tomou o caminho que ele seguiu. Não se limitou a apregoar o comunismo, exerceu, e se existiu (e ainda existe) uma sociedade que mais se aproximou dessa ideologia, é a Cuba de Castro. Não só estabeleceu uma sociedade comunista, como o fez a dezenas de milhares de quilometros do seu maior aliado (a então União Soviética) e a escassas dezenas de quilometros do seu maior inimigo (os EUA). E não caiu.

Mais depressa caiu o muro de Berlim e todos os regimes comunistas do leste europeu, URSS inclusivé, mas Castro ainda hoje se mantém no poder. Sabemos com que custos e o que tem acontecido aqueles que se têm oposto ao seu regime, mas quem já esteve em Cuba sabe que a população, apesar de poder discordar de muitas das suas atitudes, mantém-se ao seu lado.

Este post vem a propósito do Fidel ter partido hoje o joelho ao cair depois de ter proferido mais um dos seus longos e "interessantes" discursos. Isto só vem provar que, ao contrário do que diz o povo, vaso ruim realmente quebra.

quinta-feira, outubro 21, 2004

Democracia

Passei pelo O Uno e o Multiplo e encontrei um link fabuloso.

Vejam o que sofre o comum cidadão do Estado da Flórida quando quer exercer o seu direito de voto nas eleiçoes para escolher o próximo Presidente dos Estados Unidos da América.

Um verdadeiro exemplo de democracia. Aproveitem.

segunda-feira, outubro 18, 2004

A pérola do Jacinto


A Madeira não é só a pérola do Atlantico, mas tem sido também ao longo dos anos, uma grande produtora de pérolas para o anedotório nacional. Agora foi o lider do PS-Madeira, um tal de Jacinto Serrão, que andou durante a campanha eleitoral para as eleições regionais a dizer que queria tirar a maioria ao PSD. Até aqui tudo bem.

O pior é quando esses objectivos não são conseguidos, e ele seguindo o exemplo da mais rigorosa linha dura do PCP e baseado no melhor resultado do partido naquele arquipelago (uns pobres 27%), vem dizer que obteve "um resultado excelente (...) mas se o PS quiser governar a região autónoma terá de ganhar mais eleitores". (???) É obvio, não é? Daaaaaaaaaaaaaaa..............

Até o Cunhal deve estar todo contente por ver que os seus seguidores extravasam as fronteiras do PCP.

O meu derby preferido


Antes de fazer qualquer tipo de apreciação sobre o que aconteceu ontem à noite no estádio da Luz, tenho que deixar, desde já, claro que este é o derby que consigo ver com maior distanciamento porque não sou adepto de nenhum dos clubes, logo, penso que consigo discernir as situações com maior clareza.

No computo geral o FCP terá jogado melhor e apresentado melhor equipa. Por outro lado, o SLB foi literalmente roubado pelo arbitro. Ao contrário do José Veiga, eu só vi um penalti (implicava a amostragem do 2.º amarelo ao defesa do FCP) e um golo limpo que foi anulado pelo arbitro (será que o Scolari não tem razão?). Logo aqui a verdade desportiva está viciada.

Mas o melhor aconteceu na sala de imprensa, depois do jogo. Insultos pessoais proferidos por pessoas que se conhecem muito bem e que em outros tempos foram muito amigas umas das outras. Insinuações sobre a sua vida privada, a indole da namorada do do Pinto da Costa e as suas ligações ao champagne, enquanto que esta estava, coitada, no meio da claques do FCP a mandar "chicos" aos benfiquistas (viu-se bem na TV), tendo de um lado o famoso membro dos super dragões que, alegadamente, terá ameaçado o Mourinho de morte e do outro, surpresa das surpresas, tinha um senhor que em tempos ficou conhecido no futebol português como o "guarda Abel". Mas presumo que terão sido só coincidências.

Depois do Euro2004, um período de união muito estranho no futebol português, que saudades que eu já tinhas destas baixarias domésticas. O Trapattoni disse, no final do encontro, que nunca tinha visto situações destas acontecerem no futebol europeu. As suas palavras sábias, proferidas por alguém que tem um curriculum impar, colocam o nosso futebol, como um todo, no seu devido lugar: América do Sul, porque em Africa ou na Asia não nos queriam.

sábado, outubro 16, 2004

quinta-feira, outubro 14, 2004

Eu, quando for grande...


Quando for grande quero ter uma gasolineira só para mim. É o melhor negócio do mundo. Implemento uma infra-estrutura à beira de uma estrada, contrato meia dúzias de jovens que recruto num qualquer instituto de emprego, pago-lhes o ordenado mínimo e a partir dai é só explorar o negócio que tem um nível de rentabilidade brutal. Ganho, em média, 5/8 cêntimos por cada litro de combustivel vendido e a partir de certa altura aquilo quase que fica em auto-gestão.

Se, porventura, vierem tempos em que os lucros me pareçam reduzidos faço como a Galp e aumento o preço dos combustiveis duas vezes na mesma semana se for preciso. Afinal de contas, o combustivel é um produto de grande e constante procura, logo, os consumidores "comem e calam". Como não existe qualquer tipo de regulamentação séria desta actividade, até me posso juntar com a concorrência, imputar todas as culpas no preço do petroleo nos mercados internacionais e combinar aumentos sucessivos e alternados (não vá alguém pensar que existe aqui uma qualquer prática concertada), e num ano podemos aumentar o preço da gasolina 0,15€ e o gasóleo mais de 0,20€. Afinal de contas, e por muito que refilem, haverá sempre otários que irão abastecer-se lá ao posto.

É tão bom ser empresário do ramo petrolifero em Portugal.

Histórico


Há jogos em que carregamos sobre o adversário, chutamos 50 vezes à baliza e a bola nunca entra. É o guarda-redes, um defesa ou os postes mas ela nunca passa a linha de golo. E se for preciso o adversário faz um contra-ataque e ganha o jogo. Há outros jogos em que cada remate é um golo.

Quantas defesas fez o guarda-redes russo hoje? 2 ou 3 mas foi buscar a bola sete vezes dentro da baliza. Como diz o povo, era "cada tiro, cada melro".

Mais um exemplo prático da passagem de besta a bestial em 4 dias. Mas sabe tão bem.

sexta-feira, outubro 08, 2004

Memória curta


O Dr. Pires de Lima, vice-presidente do CDS-PP, a propósito do caso "Marcelo Rebelo de Sousa" veio à televisão dizer uma coisa curiosa: lamenta que os órgãos de comunicação social possam denegrir a imagem, colocar em causa a honorabilidade e até mentir sobre factos referentes a determinados cidadãos sem que estes tenham a possibilidade de se defenderem. E que isso é uma situação que tem de ser alterada.

Isto pode ser uma grande verdade mas é estranho ouvi-la da boca de alguém que pertence a um partido cujo presidente foi o pioneiro desse tipo de jornalismo. Quem não se lembra do Paulo Portas director d`"O Independente" que até utilizava as obras na casa-de-banho da residência do então 1.º Ministro, Cavaco Silva, para fazer 1.ª páginas para atacar o governo? Quantas 1.ª páginas é que esse pasquim fez à custa de calúnias e histórias mal contadas que visavam figuras do governo ou partido da maioria? Quem é que não se lembra disto? Seguramente, o Dr. Pires de Lima.

quarta-feira, outubro 06, 2004

Ele não faz falta nenhuma

A propósito do inicio da tão badalada "Quinta das Celebridades" (celebridades? nunca ouvi falar de um terço daquela gente) fiquei a saber que um dos mais antigos autarcas deste país vai participar no programa da TVI. Pois é, o famoso Avelino Ferreira Torres, autarca modelo e adepto ferrenho do clube de futebol local, vai ser um dos concorrentes do programa, acumulando mais um cargo aos muitos que já deve possuir entre empresas municipais e privadas.

Consta que ele terá pedido a suspensão do seu cargo de Presidente da Câmara de Marco de Canaveses para poder partilhar com todos os portugueses o seu dia-a-dia, e quiçá, um dia poder-se candidatar a um cargo de âmbito nacional. Mas não é essa questão que me faz mais impressão. Então o homem faz promessas eleitorais, apresenta um programa e depois balda-se para ir participar num programa de televisão por 3 meses? Há quem faça a mesma coisa mas é para ir para 1.º Minitro de um país da treta e não para um concurso da treta.

Definitivamente ele deve ser tão competente que não vai fazer falta nenhuma na Câmara de Marco

Adeus e até nunca

Chegou ao fim mais um ciclo no PCP (julgo que o segundo ou quanto muito o terceiro): Carlos Carvalhas vai abandonar a liderança do partido e deixar um vácuo que será muito difícil de preencher. Poucos homens terão feito tanto pelo partido e pelo país como ele fez, e em homenagem a essa contribuição que ele deu para a consolidação da democracia em Portugal (e claro, também no PCP), deixo aqui pequenas referências às grandes contribuições que o seu trabalho trouxe à sociedade portuguesa.

Pois é, despois desta descrição exaustiva, só nos resta agradecer pelos serviços prestados à nação e deixar, para além do nosso obrigado, a esperança que possa ser substuído por outro homem com a sua elevada estrutura moral, social e politica. Espero que seja o Gerónimo de Sousa.

sexta-feira, outubro 01, 2004

Marx tinha razão

Na Holanda, um padre foi condenado judicialmente por ter abusado sexualmente de uma jovem de 12 anos, de forma continuada. Até aqui, e por muito que me custe dizer, nada de novo. Mas o Tribunal também decidiu que a igreja católica deveria indemnizar a vitima num valor ligeiramente superior a 50.000,00€, ou seja, trocos para o Vaticano.

O momento extraordinário desta história acontece quando a essa mesma igreja paga a referida indemnização e apresenta o caso à sua companhia de seguros para ser ressarcida. Motivo? Foi acidente de trabalho. Exactamente, acidente de trabalho. Afinal de contas os factos ocorreram no local de trabalho do padre e durante a sua hora de expediente, logo, deve ser considerado acidente de trabalho. Lógico.

Quer dizer que para a igreja, e em sede de enquadramento jurídico, o facto de um trabalhador cair na obra e partir o pé ou um padre violar repetidas vezes uma criança ao lado do confessionário, é exactamente a mesma coisa. É acidente de trabalho. E têm a falta de vergonha de defender esta tese públicamente somente para pouparem uns "trocos" (para eles, claro).

Definitivamente, Marx tinha razão.